2017/02/08

Moana? Vaiana? Oceânia?

Augusto Almeida Correia escreve sobre o filme da Disney "Vaiana" e a importância das marcas na sociedade atual.

No passado dia 24 de Novembro estreou nas salas de cinema portuguesas o mais recente filme da Disney “Vaiana”, cujo título original é “Moana”, que conta a história de Vaiana, uma jovem corajosa da Polinésia e as suas aventuras pelos mares do Pacífico.

Ora, isto não seria notícia, até porque é comum este género de tradução mais "liberal" dos títulos de filmes norte-americanos no mercado europeu, não fosse o facto das razões que levaram a tal.

Assim, e numa simples pesquisa, constata-se a existência de uma série de marcas registadas “Moana”, começando, por exemplo, em Portugal, onde temos a marca nacional “Moana” registada para aparelhos científicos de registo/transmissão/reprodução de informação e extintores.

Mas não se fica por aqui, existe igualmente uma série de marcas da UE “Moana” para bebidas alcoólicas, malas, sapatos, roupa, detergentes e medicamentos.

Aliás, e a título de mera curiosidade, no caso italiano, ao filme foi dado o nome de “Oceânia” pois, por um lado, a não utilização da expressão “Moana” deveu-se ao facto de não se pretender a associação entre este filme infantil e uma famosa atriz pornográfica italiana cujo nome era Moana Pozzi que, por acaso, também é uma marca internacional devidamente registada e, por outro lado, também não quiseram utilizar a expressão “Vaiana” pois tal palavra poderia ser lida, no dialeto local, como água, correndo-se assim o risco do filme se tornar pouco apelativo para o público.

Assim, e perante as diversas marcas “Moana” registadas em território europeu, a Disney, para evitar eventuais problemas com os titulares das mesmas, optou por, em alguns países europeus como Portugal, lançar o filme com o título “Vaiana” em vez de “Moana”.

Está-se, assim, perante um excelente exemplo da importância que as marcas cada vez mais vão tendo na sociedade atual, em todos os setores de atividade, e na cada vez maior consciencialização das empresas da necessidade de procederem ao registo das suas marcas de forma a se poderem prevenir, e proteger-se, de eventuais violações por parte de concorrentes diretos ou mesmo, como neste caso concreto, das grandes produtoras cinematográficas norte-americanas.

Augusto Almeida Correia | Associado | augusto.correia@pra.pt